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Mark Mobius deixou de ser otimista sobre o Brasil

O investidor americano Mark Mobius administra 48 bilhões de dólares e sempre acreditou no potencial do mercado brasileiro. Em entrevista a EXAME, ele explica por que sua crença está abalada

São Paulo – O investidor americano Mark Mobius, um dos maiores especialistas em mercados emer­gen­tes, sempre teve uma visão otimista do Brasil. Em 2009, enquanto o mundo se apavorava com os desdobramentos da crise do ano anterior, ele dizia que a bolsa brasileira oferecia uma das melhores pers­pec­tivas de retorno do mundo no longo prazo.

Mesmo depois da sequência de pibinhos e da queda no lucro das em­presas locais, ele seguia acreditando no potencial do mercado. No início de 2013, afirmou que, apesar do ambiente conturbado no curto prazo, havia ações baratas na Bovespa. Mobius resistiu bravamente até poucos meses atrás, quando decidiu que era hora de mudar de ideia. O que deu errado?

“O governo ficou grande demais e passou a in­ter­ferir de forma agressiva nos negócios”, diz Mobius, que é presidente da divisão de mercados emergentes da gestora americana Franklin Templeton e responsável por administrar 48 bilhões de dólares. O mau desempenho da bolsa brasileira não chegou a colocar em risco o resultado dos quase 20 fundos que administra.

Nos últimos cinco anos, seus principais fundos renderam entre 11% e 24% ao ano, enquanto as ações dos principais mercados emergentes subiram, em média, 9% ao ano (esses fundos não são vendidos no Brasil). Mas o montante investido por ele no Brasil caiu, e muito — dos 5 bilhões de dó­lares seis meses atrás para os 2,8 bilhões de dólares atuais.

Ele nega que a queda se deva à venda de grandes quantidades de ações e alega que a desvalorização dos papéis ajuda a explicar o en­co­lhi­mento da carteira. Sua equipe em São Paulo está se preparando para sa­batinas exaustivas durante a passagem de Mobius pelo Brasil.

Como mora em Singapura e passa mais da metade do ano viajando, Mobius nem sempre ajusta o fuso horário para o país em que está. “Vira e mexe, ele marca reu­niões às 2 da manhã, quando sai da academia”, afirma um executivo. Por telefone, do Vietnã, ele falou a EXAME.

EXAME -O cenário para os mercados emergentes está complicado. Os investidores estão preferindo colocar seus recursos nas bolsas dos Estados Unidos e da Europa. Mas seus fundos aplicam somente em países como Brasil, China e Turquia. Ainda dá para ganhar dinheiro fazendo isso?

Mark Mobius – Os mercados emergentes já passaram por muitos períodos difíceis, mas, no longo prazo, é possível ganhar dinheiro com eles. As bolsas de países emergentes só tiveram um desempenho pior do que as dos desenvolvidos em três dos últimos 12 anos. Em prazos mais curtos, os resultados podem ser voláteis. Mas não invisto pensando em poucos meses.

EXAME -É possível olhar os países emergentes como um conjunto, apesar da enorme diferença entre cada um deles?

Mark Mobius –Desde 1987, quando comecei a criar os fundos voltados para esses mercados, vários paí­ses se alternaram no posto de mais atrativos. A Argentina já foi um sucesso, a Turquia, a África do Sul, a China e o Brasil também. As oportunidades mudam, e mudamos junto.

Continuo otimista com a China porque o crescimento econômico, apesar de ter diminuído, continua forte, e com os chamados mercados de fronteira, nos quais o risco é maior, mas a chance de retorno também, como Nigéria, Vietnã e Emirados Árabes. Não tenho dúvida de que esses países vão crescer mais do que os desenvolvidos no longo prazo.

Siga o link abaixo e veja a continuação da entrevista:

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1057/noticias/um-otimista-que-mudou-de-ideia

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