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Silvana Silva Silvana Silva enviado em 05/05/2011 as 03:00
Fábio Boução, um mártir.

Hoje eu quero fazer um apelo, dirigido ao Banco, AEBA e Sindicato. Em memória de um mártir, exatamente igual aos 3.000 trabalhadores dessa casa. E junto com esse apelo, um minuto de silêncio em razão da brutalidade que vitimou o colega Fábio, ontem ao sair do trabalho. Hoje eu não queria trabalhar. Queria passar o dia lendo textos que me fizessem tentar entender qual o real sentido da vida e porque ocorrem certas coisas com certas pessoas. Todo mundo tem uma resposta pronta para isso, com base em suas próprias convicções religiosas, mas nenhuma delas satisfaz inteiramente, sabe por que? PORQUE CERTAS PESSOAS NÃO MERECEM PASSAR POR CERTAS COISAS! Talvez o Fábio fosse uma delas. Não sou eu quem pode julgar. Eu estou escrevendo porque eu sou muito “gente”. E no pouco que conheci o Fábio (ele carinhosamente me chamava de “sourense”, porque meu esposo foi morar em Soure...) a imagem que tenho é um cara tranqüilo, bem intencionado, remando a favor da nau Banco e contra as adversidades da vida e do trabalho, enfim um cara legal. Por essa razão, meu respeito ao profissional e ao ser humano, que eu pouco conheci.
Mas e nós? Nós, 3.000 trabalhadores, também fomos vitimados indiretamente ontem, por ter perdido o Fábio, mas poderíamos ter sido vitimados diretamente, e ter deixado, a nossa revelia, nossos filhos órfãos, nossos cônjuges viúvos, entristecendo os que nos amam e querem bem. Não temos como custear seguranças particulares, como alguns fazem no Banco. Mas já que sair às 18h00 é impraticável, porque todos nós sabemos que extrapolamos a carga horária, mesmo todo mundo fingindo que não fazemos isso, qual nosso próximo passo? Algumas pessoas vão rebater, dizendo que segurança pública não é problema do Banco, e sim do governo. É verdade. Mas não vamos fingir mais uma vez mais que não sabemos que o que mais se faz com o dinheiro público são farras estrondosas, em detrimento das políticas de atendimento ao povo, alvo único do serviço público.
Já que não vamos mesmo parar de sair depois do horário, e quem prometer isso sabe que vai mentir de antemão, sugiro criarmos uma forma de nos prover um mínimo de segurança, pelo menos até nossa condução de volta para casa. Mandar flores no enterro e pagar o seguro à família é de bom tom, mas entendo que a melhor homenagem é fazer desse momento um marco: de proteção à vida, pois nada vai trazer de volta nosso companheiro.
À viúva e aos familiares, meus sentimentos. Tenham a certeza de que o Fábio era bastante querido por nós. Parabéns pelo ser humano que ele foi. Se não foi espetacular, era um bom colega e uma pessoa que fará falta. Se não conseguiu carregar muitos títulos ou muitas glórias, ele conseguiu juntar amor ao seu redor, este sim, talvez o real sentido da vida...
Quanto a nós, esperemos que a mensagem alcance a quem de direito e que seja válida para sensibilizar quem pode tomar as medidas para nossa proteção. Ontem nós perdemos um amigo e um bom profissional. Amanhã nós podemos perder outros: qualquer um de nós!

Silvana Sourense
29/04/2011
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